Um brinde à Coppola

Única mulher e filha mais nova de Eleanor e Francis Ford Coppola, Sofia Coppola mostrou-se uma mulher empoderada muito antes que a temática de empoderamento feminino começasse a borbulhar.

Não há como negar que ter nascido com sobrenome estrelado tenha ajudado a abrir portas para seu talento. Mas tornar-se uma das diretoras mais aclamadas dos últimos tempos é em grande parte mérito próprio e fruto de um trabalho construído com muita dedicação.

Nos anos 1990, desbravou um segmento dominado por homens: em 1998 lançou seu primeiro curta-metragem e no ano seguinte seu primeiro longa, As Virgens Suicidas, produzido pela American Zoetrope, produtora independente do pai.

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Sofia Coppola e Kirsten Dunst/ As Virgens Suicidas, 1999

Com seu segundo longa, Encontros e Desencontros (Lost In Translation), Sofia fez história como a terceira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção e ganhando o prêmio de Melhor Roteiro. Com seu mais novo trabalho, sexto longa-metragem de sua carreira, a diretora volta a brilhar, desta vez como a segunda mulher a receber o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes.

O Estranho Entre Nós (The Beguiled) é uma adaptação do romance de Thomas P. Cullinan que em 1971 virou filme estrelado por Clint Eastwood. Porém ao contrário de sua versão mais antiga, a adaptação de Coppola narra a história sob uma ótica feminina, dando foco às mulheres de um internato de meninas que recebem e abrigam um soldado desertor (Colin Farrell) da Guerra Civil americana ferido.

Toda vez que temos um recorte de um grupo de mulheres, dinâmicas diferentes aparecem… Eu tentei tirar o primeiro filme da cabeça e imaginar como eu contaria essa história, começando do início – Sofia Coppola

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Sofia e o elenco do longa “O Estranho Entre Nós”, Reprodução

O Longa

A história do filme se passa no  Seminário Fansworth, um internato feminino localizado em uma área rural da Virgina, onde apenas algumas alunas e professoras vivem isoladas. A presença do soldado  John McBurney desperta neste grupo um conflito entre raiva e desejo causado pelas diferentes personalidades das mulheres que ali vivem.

Como não poderia deixar de ser, a típica linguagem estética das produções de Sofia está presente em O Estranho Entre Nós, desde a trilha-sonora composta do soft rock synth assinado pela banda francesa Phoenix, até os looks das personagens assinados por Stacey Battat, amiga de longa data da diretora.

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A maioria dos modelos foram desenhados por Battat que apesar de manter-se fiel à estética da época em que se passa a história (1860), teve certa liberdade para dar voz às personagens também através das roupas que trajava,. Se nessa época as mulheres vestiam-se de preto em luto aos soldados mortos na guerra, as moradoras do internato estão sempre vestidas em tons claros, quase angelicais. Nada disso é por acaso: “Eu queria contrastar o soldado inimigo, muito masculino e exótico, a esse mundo feminino delicado”, disse Sofia.

Em tempo, o longa estreia no Brasil prevista para o dia 10 de agosto.

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