Afinal de contas, o que é o feminismo?

Numa definição nua e crua, o feminismo é um movimento social, político e ideológico que surgiu com o objetivo de conquistar direitos iguais entre homens e mulheres. E não, ao contrário dos que muitos pensam – e reproduzem por aí – o feminismo não é contrário de machismo.

O feminismo é um movimento organizado que busca não só a equidade de gêneros, mas também o empoderamento feminino e a promoção dos direitos e interesses das mulheres. Já o machismo é uma estrutura opressora da sociedade que se baseia na crença de que homens são superiores às mulheres, supervalorizando características físicas, culturais e intelectuais masculinas em detrimento das femininas.

Os primeiros registros do movimento feminista são datados no século XIX e início do século XX, período em que as mulheres passaram a exigir que os direitos conquistados durante a Revolução Francesa não fossem restritos somente aos homens. Foi nessa época que o movimento Sufragista tomou força na Inglaterra. Apesar disso, a luta dessas mulheres se estendeu por três gerações e o voto feminino só se tornou realidade nas primeiras décadas do século XX. Essa é considerada a primeira onda do feminismo.

A segunda onda do feminismo aparece no início dos anos 1960 e passa a se preocupar com questões de igualdade que iam muito além do sufrágio, lutando também contra a discriminação. Nesta fase, as feministas começaram a incentivar as mulheres a entender os aspectos de suas vidas pessoais como politizadas e como um reflexo das estruturas de poder sexistas, além de lutar pela liberdade de seus corpos, suas escolhas de vida e sexualidade. O slogan da segunda onda é da ativista e autora feminista Carol Hanisch: “O pessoal é político”.

Surgindo como uma resposta a algumas supostas falhas da segunda onda e também como forma de retaliação a iniciativas e movimentos criados por ela, a terceira onda do feminismo chega no início da década de 1990 desafiando e evitando aquilo que é enxergado como as definições essencialistas da feminilidade que acaba colocando ênfase nas experiências de mulheres brancas da classe média alta.

Vale ressaltar que durante grande parte de sua história, a liderança dos movimentos e teorias feministas eram ocupadas por mulheres brancas de classe média da Europa e América do Norte. Apesar disso, têm-se registro de mulheres de outras etnias e origens sociais que propuseram formas alternativas de feminismo. Essa tendência ganhou ainda mais força na década de 1960, quando surgiu o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, juntamente com o colapso do colonialismo europeu na África, Caribe e países da América Latina e sudeste Asiático. Mulheres das antigas colônias e de países em desenvolvimento propuseram feminismos “pós-colônias” que faziam críticas ao feminismo tradicional ocidental por ser um movimento etnocêntrico.

Outro grande erro que cometem ao se referir ao feminismo é afirmar que o movimento traz benefícios somente para as mulheres. Não é necessário ir tão afundo para entender que uma sociedade igualitária jamais será benéfica para somente um lado, afinal de contas, ela é baseada na igualdade. Em seu discurso de lançamento da campanha #HeForShe, a atriz e embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, Emma Watson explica muito bem a questão:

“[Atualmente] homens também não têm o benefício da igualdade. Não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos estereótipos de gênero, mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência. Se homens não têm que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não têm a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Tanto homens quanto mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes”.

E para ser feminista, é necessário ser ativista?

A resposta é não! Feminista não é só aquela mulher que vai para as ruas. Você pode começar incluindo o feminismo no seu dia-a-dia colocando em prática aquilo que é pregado pelo movimento e passando a ideia adiante. Leia, debata, se aprofunde no tema e fuja do senso comum! Lembre-se sempre que o feminismo não é um manual de regras, mas sim um processo que prega um diálogo e a constante evolução das ideias.

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